Brasília, sábado, 29 de agosto de 2026
Morador de rua internado involuntariamente tinha baratas sobre o corpo

Morador de rua internado involuntariamente tinha baratas sobre o corpo

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Paulo Fayad
Redator
28 de agosto de 2026
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Segundo a governadora Celina Leão, o homem morava dentro de uma árvore e teve uma parada cardíaca quando foi socorrido pelo Samu

**Morador de Rua de 72 Anos, Resgatado com Baratas Sobre o Corpo, Teve Parada Cardíaca e é Internado Involuntariamente no DF**

Um homem de 72 anos, em situação de rua, foi internado involuntariamente no Distrito Federal após ser encontrado por equipes de acolhimento em condições extremas de vulnerabilidade. O idoso, que morava dentro de uma árvore na 207 Sul, foi resgatado na terça-feira (25/8) com baratas sobre o corpo, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (27/8) pela governadora em exercício Celina Leão (PP). Durante o socorro, ele sofreu uma parada cardíaca dentro da ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), sendo estabilizado e intubado.

O resgate do idoso ocorreu durante uma ação do projeto Consultório na Rua, da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), no início da semana. O paciente, que é usuário de álcool, foi localizado pela comunidade local. A governadora Celina Leão detalhou o estado deplorável em que o homem foi encontrado: "Esse morador de rua vivia dentro de uma árvore e estava com baratas em cima dele. Ninguém sabia o que fazer." Ela acrescentou que, apesar da gravidade da parada cardíaca, a equipe conseguiu estabilizá-lo, embora ele apresentasse quadro de alcoolemia.

Ao explicar o caso, a governadora aproveitou para defender o protocolo de internação involuntária humanizada, que visa acolher pessoas em situação de vulnerabilidade que necessitam de ajuda. Celina Leão criticou o que chamou de "discurso de direitos humanos" que, em sua visão, é contraditório quando impede a remoção de pessoas da rua. "Muitas vezes esse discurso de direitos humanos, que não pode tirar as pessoas da rua, ele é contraditório. Porque se a gente não tivesse esse protocolo a gente não teria feito esse acolhimento”, apontou a governadora.

Metrópoles DF
Foto: Metrópoles DF

A subsecretária de Saúde Mental da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), Fernanda Falcomer, corroborou a gravidade do cenário, afirmando que o homem resgatado estava em situação de negligência extrema e demandava cuidados contínuos. Segundo a subsecretária, o idoso não oferecia risco a terceiros, mas sua própria condição de saúde e higiene era alarmante, justificando a intervenção.

A internação involuntária humanizada foi aprovada no Distrito Federal em junho, e desde então duas pessoas foram internadas sob este novo protocolo. O primeiro caso havia ocorrido na segunda-feira (24/8), envolvendo um homem que foi flagrado caminhando sobre os trilhos do metrô, indicando uma necessidade urgente de intervenção.

É crucial entender que a internação involuntária humanizada no Distrito Federal não é determinada apenas pela ocorrência de violência ou pelo uso de álcool e drogas. A medida depende de uma avaliação criteriosa da equipe de saúde e deve seguir critérios específicos previstos no protocolo adotado pelo Governo do Distrito Federal (GDF). Este processo visa garantir que a decisão seja tomada com base em uma análise completa da situação do indivíduo.

O protocolo em vigor inclui a avaliação de sinais de alerta como risco à vida do próprio indivíduo, episódios de violência e, como no caso do idoso de 72 anos, uma negligência extrema com os autocuidados básicos. Tais critérios buscam equilibrar a garantia dos direitos individuais com a necessidade premente de proteção e assistência àqueles que não conseguem prover o mínimo para sua própria sobrevivência e dignidade.

A ação do Consultório na Rua e a posterior internação do idoso de 72 anos ressaltam a complexidade das situações enfrentadas por pessoas em situação de rua e a importância de protocolos que permitam a intervenção em casos de risco extremo. A discussão levantada pela governadora em exercício sobre o equilíbrio entre os direitos humanos e a necessidade de acolhimento compulsório para salvar vidas e oferecer tratamento é um ponto central para a política pública de assistência social e saúde no DF.

Este caso específico ilustra a face mais dramática da vulnerabilidade social e as condições subumanas às quais muitos indivíduos estão expostos. A internação involuntária, nesse contexto, surge como uma ferramenta para oferecer dignidade e tratamento a quem, por suas próprias condições mentais ou físicas agravadas pelo uso de substâncias, não consegue buscar ou aceitar ajuda por conta própria, prevenindo desfechos ainda mais trágicos.