
HUB oferece atendimento ginecológico especializado para mulheres lésbicas
A iniciativa busca ganhar a confiança de mulheres que não vão ao ginecologista por medo ou por já terem sofrido preconceitos
Brasília, DF – O Hospital Universitário de Brasília (HUB) está inovando ao oferecer atendimento ginecológico especializado, gratuito e acolhedor para mulheres lésbicas, por meio de seu Ambulatório LGBTQIAPN+. A iniciativa busca restaurar a confiança de um grupo de pacientes que frequentemente evita os consultórios ginecológicos devido ao medo de preconceito ou experiências negativas anteriores, garantindo um cuidado de saúde humanizado e respeitoso. Este serviço surge como uma resposta direta às dificuldades enfrentadas por essas mulheres no acesso a um cuidado de saúde essencial.
A principal missão do Ambulatório LGBTQIAPN+ do HUB é proporcionar um ambiente seguro onde mulheres e jovens lésbicas possam receber o atendimento médico necessário, que muitas vezes é adiado ou completamente dispensado. O receio de discriminação e o sofrimento decorrente de preconceitos sociais são barreiras significativas que impedem o acesso dessas pacientes à saúde, impactando diretamente seu bem-estar. O HUB, com essa proposta, visa desconstruir esses obstáculos, oferecendo um espaço onde suas necessidades específicas sejam reconhecidas e tratadas com dignidade.
Na prática, a unidade garante que as pacientes recebam um tratamento humanizado, que leva em consideração suas necessidades básicas enquanto mulheres lésbicas. O processo de atendimento inclui uma abordagem respeitosa sobre a orientação sexual durante a entrevista clínica, etapa crucial para a construção de um vínculo de confiança. Além disso, a equipe se preocupa em utilizar instrumentos e métodos adequados para cada corpo, demonstrando um cuidado individualizado e sensível às particularidades de cada paciente.
O Ambulatório LGBTQIAPN+ do HUB opera em um modelo de “porta aberta”, o que significa que o atendimento é realizado conforme a demanda das pacientes que procuram a unidade. Após a triagem inicial, a equipe médica realiza o encaminhamento para as especialidades necessárias, assegurando que o cuidado seja abrangente e atenda a todas as demandas de saúde. Este formato facilita o acesso e torna o serviço mais acessível para a comunidade que busca apoio.

Guilherme Veiga, médico psiquiatra e coordenador do Ambulatório LGBTQIAPN+ do HUB, enfatiza a relevância da iniciativa, afirmando que ela busca tratar principalmente mulheres que não procuram o ginecologista por receio. “A nossa unidade atende mulheres lésbicas que estão em sofrimento em virtude da sua orientação sexual ou por conta dos preconceitos, estigmas e dificuldades que pessoas com essa orientação enfrentam”, explica o coordenador, ressaltando o impacto psicológico e social dessas barreiras.
A importância de um serviço de saúde acolhedor é reforçada pela ginecologista Bruna Heinen. Segundo ela, o atendimento ginecológico é indispensável e deve ser conduzido com total respeito, pois a ausência de acolhimento pode gerar consequências negativas significativas para a paciente. “Quando um serviço de saúde não reconhece ou não acolhe adequadamente a orientação sexual de uma pessoa, ele já parte de uma premissa incompleta sobre quem está sendo atendido, e isso compromete diretamente a qualidade e a efetividade do cuidado”, alerta a especialista, sublinhando que a negligência nesse aspecto pode ter efeitos duradouros na saúde das mulheres.
A necessidade de iniciativas como a do HUB é corroborada por dados preocupantes. O LesboCenso Nacional de 2022, que entrevistou 22 mil mulheres em todo o Brasil, revelou que 25% das pacientes lésbicas sofreram preconceito durante a ida ao ginecologista. Essa pesquisa aponta que “muitas delas vivenciam situações constrangedoras e violentas que comprometem os atendimentos e, por consequência, impactam o cuidado com a saúde”, evidenciando a urgência de ambientes mais seguros e inclusivos para esse público.
Outro estudo, o Rastreamento para câncer do colo de útero no SUS segundo raça/cor da pele: desigualdades regionais no Brasil, que analisou dados do Sistema de Informação de Câncer (Siscan), também aponta que questões sociais, de raça e gênero contribuem significativamente para a discriminação em atendimentos médicos. Estes levantamentos reforçam a complexidade das barreiras enfrentadas por grupos minorizados no sistema de saúde, tornando a proposta do HUB um modelo essencial para a promoção da equidade e do acesso universal à saúde.
O Ambulatório LGBTQIAPN+ do HUB está localizado no Prédio I de Ambulatórios do HUB, no corredor Amarelo, Sala A. O atendimento acontece de segunda a sexta-feira pela manhã, das 9h às 12h, e também nas terças e sextas-feiras à tarde, das 13h30 às 18h. Este serviço representa um passo fundamental para garantir que todas as mulheres tenham direito a um atendimento de saúde completo e sem preconceitos.
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