
Cubanos relatam caos com apagões: "estresse em cima de estresse"
Cuba vive uma das piores crises energéticas de sua história recente. Moradores relatam apagões que chegam a 20 horas por dia, com perda de alimentos refrigerados, hospitais operando em geradores e escolas suspendendo as aulas. "É estresse em cima de estresse", resumiu uma moradora de Havana em entrevista à imprensa internacional.
O colapso tem causas acumuladas: usinas termelétricas envelhecidas, falta de peças de reposição, queda no fornecimento externo de combustível e escassez de divisas para importações emergenciais. Sem margem fiscal, o governo tem recorrido a racionamentos programados que, na prática, se transformaram em improviso diário.
O efeito social é imediato. Panelaços e pequenos protestos voltaram a aparecer em bairros da capital e de cidades do interior, num país onde manifestações de rua são raras. A pressão popular por energia se soma à inflação e à escassez de itens básicos, ampliando também a fila de quem tenta emigrar.
A crise cubana serve de alerta para toda a região. Sistemas elétricos dependentes de poucas usinas e de combustível importado ficam expostos a qualquer choque externo — e a recuperação, quando o parque gerador já está deteriorado, costuma levar anos, não meses.
