
Ataque russo com mísseis balísticos atinge Kiev e provoca incêndios em série
Uma nova onda de mísseis balísticos atingiu Kiev na madrugada desta quarta-feira e transformou a capital ucraniana em um dos cenários mais tensos das últimas semanas. Equipes de resgate trabalharam por horas para conter incêndios em prédios residenciais, enquanto o sistema de defesa antiaérea era acionado repetidas vezes. O apagão parcial atingiu bairros inteiros e obrigou hospitais a operar com geradores.
O ataque acontece em um momento delicado das negociações internacionais. Cada nova ofensiva contra alvos civis reduz o espaço político para qualquer acordo de cessar-fogo e reforça, dentro da Europa, o argumento dos governos que defendem ampliar o envio de sistemas de defesa aérea para a Ucrânia. Não por acaso, o tema voltou ao centro da agenda diplomática nesta semana.
Para o Brasil, o efeito é indireto, mas concreto. A escalada mexe com o preço internacional do petróleo, dos fertilizantes e dos grãos — três variáveis que chegam rapidamente ao custo de produção do agronegócio brasileiro e, na sequência, ao supermercado. O mercado já opera com prêmio de risco embutido, e uma sequência de ataques como a desta madrugada tende a manter esse prêmio elevado.
A avaliação de analistas ouvidos por agências internacionais é de que a guerra entrou em uma fase de desgaste mútuo, em que o objetivo militar cede espaço à pressão sobre a população civil. É exatamente esse tipo de estratégia que costuma prolongar conflitos — e é o que explica por que, mesmo com rodadas de conversa em andamento, ninguém arrisca prever uma data para o fim das hostilidades.
