Brasília, domingo, 30 de agosto de 2026
ANÁLISE DE PAULO FAYAD: Augusto Cury é o nome fora do ringue que pode crescer…

ANÁLISE DE PAULO FAYAD: Augusto Cury é o nome fora do ringue que pode crescer…

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Paulo Fayad
Redator
30 de agosto de 2026
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Escrevo esta análise correndo o risco de errar — e assumo o risco. Augusto Cury (Avante) é hoje a candidatura mais subestimada da eleição de 2026, e tudo indica que ele vai crescer de forma assustadora nas próximas semanas. Não porque tenha estrutura, tempo de TV ou palanque estadual. Ao contrário: ele não tem quase nada disso. Vai crescer porque oferece a única coisa que nenhum dos favoritos consegue entregar — descanso.

Foto: Reprodução/G1 — Cury na convenção do Avante, em São Paulo
Foto: Reprodução/G1 — Cury na convenção do Avante, em São Paulo

O ELEITOR CANSADO É O MAIOR PARTIDO DO BRASIL

Nenhum instituto publica esse dado com essa clareza, mas todo brasileiro sente na pele: o país está exausto de guerra. São oito anos de famílias rachadas, amizades desfeitas em grupo de WhatsApp, almoço de domingo que termina em briga. A polarização deixou de ser projeto político e virou doença social. Quando Lula usa o horário eleitoral para julgar Flávio, quando Flávio some com o próprio sobrenome, quando Caiado vende coragem sem explicar conta, todos eles falam para o mesmo eleitor já convertido. Sobra uma massa gigantesca no meio, órfã, que não quer escolher entre dois ódios. Esse eleitor não tem dono. E é dele que Cury está falando.

O ATIVO QUE NENHUM ADVERSÁRIO TEM: FICHA LIMPA DE BIOGRAFIA

Vamos ao dedo na ferida. Numa eleição em que os favoritos gastam metade do tempo se defendendo do próprio passado — inquérito, processo, herança política, aliado preso —, Cury chega sem passivo conhecido. Psiquiatra, pesquisador da mente humana, um dos autores mais vendidos da história do país, palestrante que lota auditório há duas décadas falando de ansiedade, emoção e educação. Ele não precisa de inimigo para existir. Isso, em 2026, não é detalhe: é vantagem competitiva. O eleitor brasileiro perdoa muita coisa, mas está deixando de perdoar quem transforma a política em vingança pessoal.

Foto: Divulgação — o escritor e psiquiatra Augusto Cury
Foto: Divulgação — o escritor e psiquiatra Augusto Cury

35 SEGUNDOS: A FRAGILIDADE QUE VIRA ARMA

Análise — Paulo Fayad
Foto: Análise — Paulo Fayad

Cury tem o menor tempo de televisão da disputa: 35 segundos, resultado de uma regra que premia bancada e não ideia. No papel, é candidatura inviável. Na prática da era digital, pode ser o contrário. Cinco minutos de acusação morrem na TV; 35 segundos de fala serena, cortados em vertical, viram reel, viram story, viram print no grupo da família. A campanha dele não se decide no horário eleitoral — se decide no celular. E aí a assimetria de tempo deixa de valer. Quem tem frase, ganha alcance. Cury vive de frase há vinte anos.

A CRÍTICA QUE TAMBÉM PRECISA SER FEITA: PAZ NÃO É PROGRAMA

Agora o outro lado, porque análise sem cobrança é panfleto. Discurso conciliador enche o coração, mas não enche a geladeira. Cury terá de responder, rápido e com número na mesa, às três perguntas que decidem voto: quanto custa, quem paga e quando entrega. Saúde mental é bandeira legítima e inédita numa eleição presidencial brasileira — mas precisa virar rede pública, orçamento, profissional contratado, escola equipada. Educação e defesa dos neurodivergentes idem. Se a candidatura ficar no território do bem-estar emocional, será lembrada como um belo gesto. E gesto não chega ao segundo turno.

Foto: Avante/Divulgação — oficialização da candidatura pelo Avante
Foto: Avante/Divulgação — oficialização da candidatura pelo Avante

O QUE PODE ACONTECER — E MINHA APOSTA

Minha leitura é direta: se Cury ocupar os debates, que a lei garante, ele encontrará o eleitorado mais disponível desta eleição. Não será surpresa se for o nome que mais cresce proporcionalmente nas próximas pesquisas, e não descarto que ele chegue à reta final como a terceira via que a direita e a esquerda juraram que não existia. Numa campanha em que todos gritam, quem fala baixo e com densidade é ouvido. Depois de oito anos de trincheira, o Brasil pode estar pronto, pela primeira vez desde 2014, para eleger alguém que não precisa de um inimigo para governar. Anoto aqui, com data: Augusto Cury é o fato novo de 2026 — e pode ser o próximo presidente da República.

Análise de Paulo Fayad — TV Voz de Brasília. Opinião do autor, com base no início do horário eleitoral de 2026 e nas regras da Resolução TSE nº 23.610.