O presidente Luiz Inácio Lula da Silva transferiu, na noite desta terça-feira (18), o Prêmio Camões 2024 à poetisa Adélia Prado, representado por seu filho, Eugênio Prado, em uma cerimônia no Palácio Itamaraty, em Brasília. O evento contou com a presença do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, que está em visita oficial ao Brasil.
Lula exaltou a importância do poeta mineiro e destacou sua obra como um reencontro do Brasil consigo mesmo.
“A obra de Adélia Prado é uma janela para o coração de todos os brasileiros e brasileiras, e de todos os amantes da língua portuguesa. Uma língua rica, repleta de palavras tão belas e únicas como saudade, coragem e resistência – palavras que descrevem a potência de Adélia e a força do Brasil”, afirmou o presidente.
Lula ainda fez uma analogia entre a poesia de Adélia e a política, enfatizando que, assim como em seus versos, a governança deve ter presença e cuidado com o povo.
“As pessoas estão no cerne da sua escrita, assim como deveriam estar no centro de qualquer ação de governo. Como a mãe que prepara o café para o pai que faz serão, ou o marido que limpa um peixe ao lado da esposa. É com essa presença e esse cuidado que se governa: oferecendo políticas públicas e serviços de qualidade, protegendo os mais vulneráveis e preservando o meio ambiente”, disse Lula.
Adélia Prado: um poeta do cotidiano
Aos 89 anos, Adélia Prado não compareceu à conferência devido a questões de saúde, mas invejou uma mensagem emocionante, lida por seu filho.
“A celebração da poesia é e será sempre sinal de que um povo preserva o tesouro inestimável de sua língua. Como afirmei certa vez, toda compreensão é poesia. Fiel ao chamado da poesia, qualquer povo encontre a porta que se abre para a realidade”, destacou a escritora.
Mineira de Divinópolis, Adélia Prado construiu uma trajetória literária marcada pela valorização da experiência cotidiana, da fé, da feminilidade e das sensibilidades da vida simples. Seu talento foi reconhecido ainda nos anos 1970, quando Carlos Drummond de Andrade, conhecido com sua escrita, encaminhou os originais de seus poemas para publicação.
Seu primeiro livro, “Bagagem” (1976), foi recebido com grande entusiasmo pela crítica e consolidou seu nome no cenário literário brasileiro. Nos anos seguintes, vieram obras como “O Coração Disparado” (1978), que lhe garantiu o Prêmio Jabuti, além de incursões na prosa, com livros como “Solte os Cachorros” (1979) e “Cacos para um Vitral” (1980).
O Prêmio Camões e sua importância para a literatura lusófona
Criado em 1988 pelos governos do Brasil e de Portugal, o Prêmio Camões é a mais importante distinção concedida a autores de língua portuguesa. A premiação documentada cujo conjunto da obra contribuiu significativamente para o patrimônio cultural e literário da lusofonia.
Nomeado em homenagem ao poeta português Luís de Camões, autor de Os Lusíadas, o prémio já foi atribuído a nomes como Jorge Amado, José Saramago, Rachel de Queiroz, Mia Couto, Ferreira Gullar e Chico Buarque. Adélia Prado é a mais recente integrante dessa seleta lista de escritores que deixaram sua marca na literatura em língua portuguesa.
O valor da premiação é de € 100 mil (cerca de R$ 530 mil), financiado pelo governo brasileiro, por meio da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), e pelo governo português.
Com uma obra que transforma o cotidiano em poesia e ressignifica a experiência humana, Adélia Prado segue sendo uma das vozes mais autênticas da literatura brasileira, agora reconhecida com o mais alto prêmio da língua portuguesa.
Fonte:blog do riella
Foto:foto da web
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